sábado, 26 de setembro de 2009

ABERTURA


Fantasías aparte, es innegable que su nombradía (de D. Paio Peres Correia) se asienta en una vida militar llena de gloriosos hechos, como lo demuestra el que se le confiase el mando del ejército español en aquel período verdaderamente heroico de la Reconquista.


Fue Gran Maestre de la Orden de Santiago y tanto los monarcas portugueses como los castellanos, se disputaran el honor de tenerle à su servicio.
Enciclopedia Universal Ilustrada Europeo-Americana

«Os dados para a composição de uma biografia (sobre Paio Peres Correia) são vastíssimos» (Henrique David). Todavia essa biografia ainda não existe. E, enquanto assim for, o seu lugar na história não será devidamente equacionado: o lugar de um homem denodado, que lutou em território português, particularmente algarvio, nos reinados de Sancho II e Afonso III, mas sobretudo em Castela, sob Fernando III e Afonso X, a quem este, ainda principe, prometeu que lhe entregaria os cuidados da educação do herdeiro, que foi solicitado, mesmo pelo Papa, para ir em socorro do imperador Balduíno de Constantinopla (1), etc.

O esclarecimento das suas raízes fralanenses (do Solar de Fralães, no Concelho de Barcelos) cremos que é tarefa importante, para que haja quem o reivindique, quem, considerando-o seu, accione iniciativas que promovam a reflexão sobre a acção que desenvolveu.

Se a composição de uma biografia do 14º Grão-Mestre da Ordem de Santiago não está ao nosso alcance, isso não impede que registemos aqui um pouco do que sobre ele se pode saber.
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(1) Consulte esta Colecção Documental sobre Paio Peres Correia.






Nas imagens: medalhão leonês de D. Paio Peres Correia (Convento de S. Marcos), retrato português  e medalhão na Plaza Mayor de Salamanca  do mesmo.





 Monumento a Paio Peres Correia em Setúbal.
 Painel de Paio Peres Correia em Tentudia, Espanha.

 Placa toponímica em Loulé.


Nossa Senhora aparece a Paio Peres Correia - pintura originária do Castelo de Palmela e actualmente no Museu Nacional de Arte Antiga.

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Manuel López Fernández, autor do livro


Natural de Calera de León, na província de Badajoz, Manuel López Fernández  é militar de profissão e doutor em História pela UNED com a tese La Orden de Santiago y el maestre Pelay Pérez Correa. Professor tutor do Centro Associado da UNED em Algeciras e membro do Instituto de Estudos Campogibraltarenos, as suas linhas de investigação estão relacionadas com o Estreito de Gibraltar e com a Ordem de Santiago. Os seus trabalhos foram publicados em actas de congressos celebrados em Espanha e Portugal, ou publicados em revistas como Albassit; Almoraima; Cuadernos del Archivo Central de Ceuta; Espacio, Tiempo y Forma; Historia. Instituciones. Documentos; Revista de Estudios Extremeños; Revista de Historia Militar; Revista de las Órdenes Militares; e otras de menor difusão nas províncias de Alicante, Badajoz, Cádiz, Murcia e Sevilla (veja-se aqui).
Numa artigo em linha, Manuel López Fernández afirma que Paio Peres Correia “parece originario de Farelaes, un “couto” cercano a la portuguesa ciudad de Braga”. A gente preferia que disse que o Mestre de Santiago era natural do antigo e extinto Couto e Honra de Fralães, cuja área hoje pertence ao concelho de Barcelos. Mas podia ter sido pior.
O que fica claro é que o livro, que se estende por 692 páginas, é dum especialista e que refere Fralães. Um verdadeiro tratado que em breve esperamos possuir.
Veja-se também esta apresentação de Paio Peres Correia, certamente da sua autoria:

Paio Peres Correa foi, em palavras de Derek W. Lomax, um dos melhores mestres da Ordem de Santiago. Todavia, até à tese doutoral de Manuel López Fernández - La Orden de Santiago y el maestre Pelay Pérez Correa -, não se tinha um trabalho que permitisse avaliar no seu conjunto o labor do mestre à frente da instituição que governava; labor que ficou associado a uma grandiosa lenda de que o mestre se fez credor no seio da mesma Ordem. Sem pôr de lado origem e evolução dessa lenda, nem iludir a sua posterior influência histórico-literária, graças ao dito trabalho de investigação podemos conhecer multidão de detalhes da vida do freire santiaguista, as suas andanças pela Península em acções militares, concedendo foros ou engrandecendo a sua Ordem, ao tempo que se relacionava com os reis de Castela, Portugal, Aragão, Inglaterra..., e com as mais altas hierarquias da Igreja.

Em linha existem alguns trabalhos publicados por Manuel López Fernández:

A PALAVRA FRALÃES

Farelães é o solar
Que aos Correias deu o ser,
E D. Paio veio a ter,
O qual fez o sol parar,
Para os mouros vencer.

A nossa afirmação de que D. Paio Peres Correia é natural de Monte de Fralães, concelho de Barcelos, assenta, como a seu tempo veremos, numa investigação feitas sobre as Inquirições e na continuada tradição genealógica. Neste sentido, esta quintilha de D. João Ribeiro Gaio - que foi bispo de Malaca, mas que era natural de Vila do Conde - mesmo inquinada de lenda, confirma a tradição genealógica.
D. João Ribeiro Gaio adopta, para designar Fralães, a forma Farelães, que é errada, sem base histórica, e que assenta na suposição de que a palavra deriva de farelo.

Capa do primeiro livro dos Registos Paroquiais de Monte de Fralães (então dizia-se S. Pedro do Monte) da autoria do P.e Jácome Dias.


Curiosamente, o pai do vocábulo Fralães é um pároco de Monte de Fralães, também da segunda metade do séc. XVI (como D. João Ribeiro Gaio), que se chamava Jácome Dias. Ele dedicou-se de alma e coração à sua pequena paróquia e teve o bom senso de deixar memória da sua obra. Nuns relatórios que abrem o livro dos registos paroquiais, que iniciou, usa por duas vezes a forma Fralães.
Noutros documentos continuou a escrever-se Farelães e, em finais do séc. XVII, Cristóvão Alão de Morais, na Pedatura Lusitana, defende explicitamente a forma Farlães — «que assi se acha nas escrituras antigas». A forma Fralães teve a sua primeira grande consagração, cerca de 1700, na Corografia Portuguesa, cujo autor certamente consultou os registos do P.e Jácome Dias (que ainda estavam na paróquia).
Farlães vem nas Inquirições de D. Afonso III, na acta de Viatodos (vizinha de Monte de Fralães). Hoje escreve-se Fralães, sem que seja possível deslindar o seu étimo.

O SOLAR DE FRALÃES

O edifício actual do Solar de Fralães não tem a grandiosidade dos de outros solares. Mas aquela torre senhorial faz inveja a muitos.
A torre e algumas portas do rés-do-chão em ogiva deverão vir do séc. XV, o resto do edifício é reconstrução de finais do séc. XIX. Tinha havido obras significativas em meados do séc. XVIII, mas hoje o seu resultado não é reconhecível.
O P.e Carvalho da Costa da Costa deixou do solar uma descrição sem dúvida exagerada:

Têm estes senhores aqui a maior Casa das antigas de quantas vi em Portugal, & Galiza, com Torres, grandes salas, muitas fontes curiosas, jardins, & hortas, dilatados pomares de toda a fruta ordinária, & de espinho, & uma grande mata de Carvalhos, & Castanheiros, cousa magnifica.
Em meados do século há contudo referência à torre que conhecemos hoje.
Não foi nesta casa que nasceu D. Paio Peres Correia. O solar do seu tempo devia ficar a uns 300/400 m para poente do actual, na encosta do monte. De facto, houve aí até há um século o lugar do Paço – que aliás teria origem romana, como no-lo afirmou um arqueólogo que visitou o local.
O autor da Corografia Portuguesa, quando passou por Fralães, fez uma descoberta arqueológica: encontrou a servir de degrau numas escadas uma lápide romana dedicada a um tal Aurélio Patrício por um seu filho legionário. O P.e Carvalho fez porém uma leitura fantasiosa da inscrição. A lápide guarda-se hoje no Museu de Martins Sarmento, em Guimarães.

Pela altura em que os Marqueses de Monfalim restauraram o solar (finais do século XIX), um sacerdote de Viatodos escreveu sobre ele o seguinte soneto:

Fralães, matrona que possuiu nobreza,
todo em ruínas, seu solar deplora,
narrando ainda a prístina grandeza,
poder e fausto que ela teve outrora.

De quantos bens e honras foi senhora,
E hoje vive esquecida... e na pobreza!
Pelas humildes vestes de pastora,
Trocou as galas ricas de princesa!

Mas assentada, no alto, em seus penedos,
contempla ainda, como antigamente,
montes, planícies, rios e arvoredos...

A mão dos tempos que pesou sobre ela
tudo que tinha lhe roubou... Somente
a deixou sempre assim graciosa e bela.

Na primeira imagem vê-se o Solar de Fralães e na segunda uma das suas portas em ogiva, junto à torre senhorial.

OS AVÓS PATERNOS DE D. PAIO PERES CORREIA

Os genealogistas, repetindo o Nobiliário do Conde D. Pedro, ensinam que D. Paio Peres Correia era neto de D. Paio Soares Correia. Este D. Paio Soares Correia casou primeiro com D. Gontinha Godins e depois D. Maria Gomes. Foi do segundo casamento que nasceu o pai de D. Paio Peres Correia.
Como o Grão-Mestre de Santiago não terá nascido depois de 1210 – para ter uns 18 anos quando entra para a Ordem militar – o seu pai deveria ter nascido ao menos uns 20 anos antes, o que nos leva para 1190. Como D. Maria Gomes volta a casar e tem depois filhos, seria ainda jovem por altura do segundo casamento. Isto é, casa após a morte do primeiro marido, morte que há-de ter acontecido quando os filhos desse casamento eram crianças, portanto talvez ainda antes da década de 1190.
Ao certo sabe-se que D. Paio Soares Correia morreu antes de 1220, pois nesta data o Mosteiro de S. Bento da Várzea já era senhor de um casal de Nabais, Póvoa de Varzim, que ele lhe deixara à sua morte.
Investiguemos a memória que as Inquirições conservam do avô paterno de D. Paio Peres Correia nas proximidades de Fralães.
Em 1220, a freguesia de S. Pedro do Monte (actual Monte de Fralães) — mencionada no Censual do Bispo D. Pedro (então com o nome de S. Cristóvão de Silveiros) século e meio antes — foi ignorada pelos inquiridores. Por isso, apesar de as Inquirições de 1220 fazerem menção das duas filhas do primeiro casamento de Paio Soares Correia (D. Ouroana, em S. Salvador de Silveiros e Nabais, D. Sancha, na «Honra dos Correias», em S. Vicente, Gondifelos) o nome deste Correia só aparece em 1258. Mas nesta data é ver quem mais o lembra.
O que vai ser dito de seguida – e que pode ser confirmado nas Inquirições de D. Afonso II e D. Afonso III – apesar de não ser de agradável leitura, é fundamental para garantir a naturalidade fralanense de D. Paio Peres Correia.
Em 1258 S. Pedro do Monte (actual Monte de Fralães, repito) era «honra antiga de Paio Correia». E Paio Correia continuava a ser D. Paio Soares Correia, não o seu insigne e quase homónimo neto, que estava no auge da sua carreira. Viatodos é, numa parte muito significativa, «Honra de Farlães», isto é, a Honra de Fralães alongava-se pela freguesia vizinha, freguesia onde se encontra repetida menção da sua primeira esposa, D. Gontinha Godins, que aí teve uma herdade, um casal e uma quinta. Duas destas propriedades prolongavam-se por Nine, onde também se fala de uma herdade e de uma quinta que a mesma D. Gontinha possuíra. Os lugares ninenses de Quintãs e Ribeira eram «honra antiga de pousada de D. Paio Correia».
Em S. Veríssimo (posteriormente integrada em Cavalões), «toda esta paróquia é honra do ilustre rei D. Afonso Henriques ou honra de D. Paio Correia», e em Cova haviam-se criado uma filha sua do segundo casamento, Maria Pais Correia, e uma neta, filha de D. Ouroana e Pêro Gravel, Sancha Peres Gravel.
S. Vicente, anexada depois a Gondifelos, «é honra antiga dos Correias desde antigamente» e foi aí criada Sancha Pais Correia, irmã de D. Ouroana. Ocorre lá o nome do seu marido, Reimão Peres, e referem-se filhos. Também aí viveu D. Maria Pais Correia, de Fiães; o texto menciona os seus filhos, os cavaleiros Rui Vasques Quaresma e Martinho Vasques.
Gresufes, incluída depois em Balasar, «é honra antiga de D. Paio Correia o Velho».
Em Nabais (Póvoa de Varzim), Paio Correria surge como pai de «D. Ouroana Pais», casada com Pêro Gravel (que terá levado os Correias para esta terra à beira-mar? Havendo por lá vários Godins, seriam eles aparentados com D. Gontinha?)
Concluindo: por onde quer que tenha andado ao longo da sua vida, as raízes fralanenses de Paio Soares Correia parecem bem fundas. Nas proximidades desta freguesia possuía largas propriedades. Ao olhar da encosta do monte d’Assaia, onde tinha o seu palácio, para nascente e sul, deliciar-se-ia com o espectáculo dos seus domínios nas férteis margens do Este, onde viviam familiares seus.
Benfeitor do Mosteiro da Várzea, Paio Soares Correia terá sido sepultado junto ao seu palácio na chamada «Campa dos Mouros», um túmulo aberto em duro granito no lugar que muito tempo se chamou do Paço. Homem de corte, os seus filhos todavia terão tido a vida ligada a Fralães.
Já rastreámos alguns dos passos de D. Ouroana (e até já lhe encontrámos uma filha em Cavalões), bem como da irmã D. Sancha. Com o marido, D. Ouroana comprou uma vez em Silveiros as «herdades de Madinos».
D. Sancha também faz aquisições em S. Vicente.

Na imagem, pedra com uma rosácea sexfólia que se presume que terá pertencido à igreja medieval de Monte de Fralães, aquela em que terá sido baptizado D. Paio Peres Correia.

O APELIDO CORREIA

Para amenizar um pouco, vou agora contar uma lenda e dizer duas palavras sobre um trovador.
Há de facto uma lenda que pretende explicar a origem do apelido Correia, dos Correias de Fralães:
A história desta freguesia (Monte de Fralães) está ligada à antiquíssima Honra de Fralães, pertença da família dos Correias, cujo primeiro patriarca de que há notícia é D. Paio Ramires, um Rico-Homem em Portugal, no tempo de D. Afonso VI, rei de Leão, que teve como sucessor Soeiro Pais. Este, tendo sido sitiado pelos mouros, em Montemor-o-Velho, e tendo caído em carência de subsistência, sustentou-se, durante algum tempo, das correias da armadura e dos arreios do seu cavalo. Deste tão duro e forçado manjar tomou apelido o seu filho, D. Paio Soares Correia, o qual foi Senhor de Fralães e padroeiro das Igrejas de S. Pedro do Monte e de Viatodos, assim como já o tinham sido os seus antepassados. D. Paio Soares Correia é o avô de D. Paio Peres Correia, como já vimos. Seria mais ou menos contemporâneo de D. Afonso Henriques. Sendo assim, já pouca base histórica pode ter esta explicação da lenda, pois os mouros nessa altura já se não aventurariam até Montemor-o-Velho. De facto, parece que o apelido Correia deriva de uma função militar, que não sabemos especificar.
A propósito de Viatodos, informa as Inquirições de D. Afonso III que «em Britelos, no casal que foi de D. Gontinha criaram recentemente uma filha de João de Guilhade» (Item, dixit quod in Britelus, in casali que fuit Domne Guntine, nutriverunt modo filiam johannis de Guiladi).
É verdade, o conhecido trovador andou por estas paragens; confirma-o o seu principal biógrafo, Costa Lopes. E há até uma questão que pode embaraçar: um poema cruamente obsceno de Guilhade fala duma D. Ouroana. Mas não é nem a filha de D. Gontinha nem uma conhecida aia da Rainha D. Mafalda. Não, era apenas uma soldadeira.

A imagem é do interior do castelo de Montemor-o-Velho.

D. PÊRO PAIS CORREIA

Para determinar a naturalidade de D. Paio Peres Correia, nada melhor que reunir informações sobre o seu pai e a sua mãe. Mas elas são muito escassas.
Pêro Pais Correia, o pai do futuro Grão-Mestre de Santiago, nascido da segunda esposa de Paio Soares Correia, aparece em Balasar por causa de um amádigo. A «Vila do Casal» «toda está honrada por meio de D. Pêro Pais Correia, que aí foi criado», dizem as Inquirições.
Como seu pai, também Pêro Pais Correia terá sido frequentador do paço. O nobiliarista Felgueiras Gaio escreve sobre ele:
A este chamava a rainha D. Brites, mãe do rei D. Afonso III, «mi Padre», como consta das Inquirições do rei D. Afonso. Devia ser por ele ter alguma inspecção na sua criação.
Embora a citação contenha o erro de dizer que a mãe de Afonso III se chamava D. Brites — D. Brites poderia ser era a segunda esposa deste rei — parece confirmar que ele fosse frequentador assíduo da corte.
O mesmo autor regista ainda sobre ele a seguinte façanha pouco edificante:
... comprou uma quinta no Couto do Mosteiro de Roriz em que fez umas casas, que lhe quiseram impedir os priores dele, pelo que lhe matou dois religiosos, como consta das Inquirições do rei D. Dinis.
O casamento que fez com uma rica herdeira de terras de Aguiar e de Basto, herdeira que nem sequer tinha irmãos rapazes, mas apenas outra irmã..., tê-lo-á afastado de Fralães? Eis uma questão decisiva.
A nossa resposta, assente apenas no texto das Inquirições de 1258, é a de que parece que ele e sua família, para residência, deram preferência ao paço de Fralães sobre as terras do interior. Veremos o que se passou com alguns dos seus oito filhos — seis rapazes e duas raparigas.


A imagem representa um trísceles emoldurado que terá pertencido à igreja medieval de Monte de Fralães.

IRMÃOS DE D. PAIO PERES CORREIA NAS PROXIMIDADES DE FRALÃES

A lista completa dos filhos de Pêro Pais Correia é a seguinte: Paio Peres Correia (o Grão-Mestre de Santiago), João Correia, Martim Correia, Soeiro Correia, Gomes Correia, outro Paio Correia (o Alvarazento), D. Mor Peres Correia e D. Sancha Peres Correia.Por terras de Basto, mencionam-se uma vez, em 1258, a esposa do filho Gomes Correia e uma outra vez os «filhos de Soeiro Correia». Nada mais. É bem diferente o que se passa cá por baixo.
Gomes Correia, afinal, fora criado em S. João de Bastuço e a sua esposa viveu no Louro, cercanias de Fralães, que continua a ser o lar, o ponto de partida(1). À sua esposa, mulher com certeza muito rica, chamavam D. Maria de Fralães. Será que foi Gomes Correia quem herdou a casa?
Soeiro Correia, esse viveu por algum tempo em Nine:
Foram aí acolhidos João Lourenço da Cunha e Gonçalo, filho de João Correia, e Estêvão Martins, filho de Martim Jejuno, e Soeiro Peres Correia.
Sabendo que os Lourenços da Cunha pertenciam à primeira nobreza, vê-se que estava bem acompanhado. Soeiro Correia virá a ter um genro do Louro, João Pires Velho, familiar com certeza de um Soeiro Pires Velho que se sabe que recebera João Peres Correia em Grimancelos.
João Peres Correia é assinalado então em Grimancelos, mas também em Remelhe e em Santavaia de Arnoso.
D. Mor Pais Correia casa para Molnes, hoje Remelhe. O seu marido, Estêvão Peres de Molnes, é mencionado; ao menos um dos seus filhos, Lourenço Esteves de Molnes, aparece em Remelhe, tendo protagonizado um amádigo.
A presença de vários dos irmãos de Paio Peres Correia é assim assinalada na região:
João, em Grimancelos, Arnoso e Remelhe; Soeiro, em Nine; Gomes, em S. João de Bastuço; (o marido de) D. Mor, em Molnes. Seriam crianças de Fralães. É de crer que com os outros acontecesse o mesmo, já que seria aí o lar paterno.
João Correia, na idade adulta, continua a defender por cá interesses seus.
A mulher de Gomes Correia, «D. Maria de Fralães», recebe uma renda no Louro, porque por aí passou ao menos parte da infância. Seria das redondezas.
Verifica-se pois que o paço de Fralães (mencionado numas inquirições de D. Dinis como o paço de Paio Soares Correia) foi da maior importância para os antepassados imediatos e para os irmãos de D. Paio Peres Correia, pesem embora as razões que poderiam opor-se a esta constatação.
Sendo assim, deverá aceitar-se que ele aqui terá passado os longos e doces anos da infância, que por aqui se terá feito homem e que a Fralães se terá mantido sentimentalmente ligado ao longo das andanças variadas e tantas vezes guerreiras da sua vida.
Tudo isto configura uma situação que faz sentido se admitirmos a residência de Pêro Pais Correia em Fralães – onde lhe terão nascido os filhos.

(1) Este Gomes Correia «teve também uma acção importante na reconquista. Em 1243, aparece a confirmar um privilégio do príncipe D. Afonso em que são doadas à Ordem de Santiago as vilas de Galera, Orce, e outras próximas, como recompensa dos serviços prestados aquando da reconquista de Chinchila, e no mesmo ano, quando o futuro rei sábio confirma a doação dos castelos de Serra e do Alto Segura à Ordem de Santiago, Gomes Pires fica tenente de importante praça de Cieza» (Actas das II Jornadas Luso-Espanholas de História Medieval, vol. III, Centro de História da Universidade do Porto, Porto, 1989, pp. 1030-1).
«Foi casado com Maria Anes Redondo I, filha de João Pires Redondo I, um dos cavaleiros beneficiados no «Repartimiento» de Sevilha, e de Gontinha Soares de Melo» (loc. cit.).